quinta-feira, 9 de julho de 2009

Redentor

Eu já me perguntei tanto que nem sei.
Coisas a meu respeito,
sobre porquê tudo tem que ser tão difícil o tempo todo.
Lembro de um menino que tinha medo de morrer.
Lembro de como eu ria,
vejo no que eu me transformei,
e como seis meses podem passar tão rápido.
E como podemos ser tão inábeis.
Continuo caótico.
Perdi a cara de criança.
Gostava de imaginar que crescer era,
antes de tudo, conduzir algo, alguma coisa.
Mas a gente só é levado, induzido.
E isso é mais do que só sorte ou azar.
Me pergunto mesmo qual a lógica,
qual ensinamento eu posso tirar de mim mesmo.
Se apanhando assim eu vou estar preparado.
Se perdendo eu vou aprender a ganhar.
Acontece que chega.
Já ganhei coisas na vida.
Não são tão boas assim.
Não tão boas a ponto de tanto se jogar,
e se jogar, e se jogar, e se jogar,
por deus, já tenho sequelas suficientes.
O empate faz mais sentido.
Tem a ver com meu signo. Prevê igualdade.
E eu sempre detestei ser desigual.
Mas eu gostava de ter sonhos.
Acreditava na redenção, minha e de quem eu quisesse.
Não existe redenção.
Não enquanto eu quiser que tudo tenha sentido.
Ser a mãe de mim mesmo e ignorar meus erros
seria um facilitador importante.
Minha redenção é sair do jogo.
ha ha ha, não me proponho mais, estou fora.
Sem jogo, sem derrota, sem vitória, sem desgaste.
O que vier, é inesperado. Não tem o oposto disso.
Hoje sou mais áspero, mais espesso,
mais espinhoso. Mais sozinho.
Mais sério, menos móbil, menos hábil.
É resultado de uma estranha soma entre o que fui,
comparado ao que queria ter sido.
Não quero ser nada. O que rolar, rolou.
Seja o que for, era melhor não ter tentado.

2 comentários:

  1. A redenção há de vir, e junto dela, o recomeço.

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  2. somos 6 bilhões... e é incrível como as coisas se modificam pela falta apenas de um... de uma no caso... nenhuma específica... mas, as palavras são as mesmas, o que muda é a ordem em que elas são colocadas, alterando o tom, as cores... vamos abrir nossas caixinhas de felicidade, uma a uma, e vamos aproveitar o máximo dessa que está aqui e agora nos enchendo de coisas pra fazer, pra pensar, pra escrever... beijos...

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