quinta-feira, 23 de julho de 2009

1 ano

Querido Bindi,

Faz um ano que nos despedimos.
Não eu e você. Você e todos nós.
Senti saudades em alguns momentos cruciais.
Penso em sua esposa, sua mãe, sua cã.
Relativizar o vazio de quem perde pode ser muito doloroso.
Passou um ano, meu amigo.
Eu tive que sair do trabalho naquela noite.
Tive que explicar quem era você pra mãe, pra mulher.
Chorei no jogo do nosso time, e no meu time de várzea.
Me choquei com sua partida, mais do que poderia supor.
Ainda não entendo a lógica de algumas coisas.
Sua religiosidade me ensinava a não exigir lógica.
Sem opção melhor, Bindi, positivei a saudade.
Coloquei sua conduta como parâmetro pra minha.
Decidi que o que viesse em minha carreira, dedicaria à você.
Deus fez mais. Desenhou uma chance pra que eu prove.
Veja você que temos hoje mais amigos em comum do que antes.
Trabalho, hoje, onde você escrevia, e onde eu te lia, sempre.
É meu começo, e eu não poderia estar mais aquecido.
E suspeito que preciso, mais que dedicar, agradecer você.
É pena que não tenha dado tempo para mais.
Eu precisava, e teria amado, te ouvir mais, mais tempo.
Passou um ano.
Não tenho notícias de ter aparecido um profissional semelhante.
Na minha vida, não apareceu ninguém semelhante.
Por aqui, é como eu já disse um ano atrás.
Vamos em frente.
E mesmo que tudo dê tão certo, tão bem, tão lindo,
seria melhor com você.
Tua falta é cala um segundo de cada grito alegre meu.
Como tantas ausências nos deixam passos atrás.
O saldo, contudo, é positivo.
Você tem asas, meu amigo.
Ontem, o Palmeiras perdeu. Roubado em Goiás. De novo.
Esse foi o último jogo que viu, aqui conosco, ano passado.
O mesmo script.
Pra te mostrar que algumas coisas nunca mudam.

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