domingo, 10 de maio de 2009

Sonhos

Besteira essa história de sonhos perdidos. Sonhos dão cria tão fácil. Quando um se acaba, lá está outro na rabeira, querendo surgir. Se a natureza do sonho é pressupor-se impossível, então nada mais fácil que criar um do nada. Em um momento um sonho morto, em seguida, lá está! - um sonho novinho em folha. Não precisa ter cheiro, não precisa ter gosto, não precisa de nenhum suporte físico. Basta um pinguinho de imaginação. Oras, se um homem não tem imaginação suficiente pra criar um sonho novo, então talvez ele não seja um homem, seja um cachorro, e nem saiba disso. Aposto como os cachorros não tem sonho nenhum. Um cachorro não sonha escrever um livro, não sonha conhecer as ruínas gregas, não sonha criar um prato utilizando barbatana de tubarão martelo, não sonha fazer um gol de letra do meio do campo. Já as pessoas, é bom que tenham um estoque de sonhos. Alguns bem fáceis, pra dar energia enquanto se busca os mais difíceis. E é bom também que saibam aprender a desistir de um sonho quando ele se mostrar impossível demais (sim, existe impossível demais e de menos, e eu não sei porque "demais" é uma palavra só, e "de menos" são duas, mas isso não é assunto pra um parêntese, e sim pra um etmólogo qualquer decifrar). Sonhos não vão muito bem com frustrações. Aí deixa de ser sonho e passa a ser obsessão, que é muito menos bonita e poética. Nada contra que um homem tenha lá suas duas ou três obsessões na vida. Mas os sonhos, ah, esses é bom que venham aos milhares. E que todos nós morramos sem realizar nem metade deles. Assim seja.

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