domingo, 24 de maio de 2009

Soneto de um fado antigo

A carícia de uma canção
Ecoando na voz cansada
É o choro de um coração
Onde antes não havia nada

Um olhar brilhando na luz
É um verso nascendo novo
Qual Jesus pregado na cruz
Escreveu pra todo seu povo

E escrever assim, sem palavras
Não é coisa pra qualquer um
É um truque de quem tem asas

De quem não tem medo nenhum
Pois cantando assim à voz rouca
Pões serena a moça mais louca

Um comentário:

  1. "escrever sem palavras" talvez seja mesmo condição de quem tenha asas,e amar sem palavras talvez seja condição de quem não tenha pés. Extremos banais entre liberdade e aprisionamento
    O que preenche esta lacuna talvez e sempre talvez seja o sofrimento na liberdade e na paralização.

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