quinta-feira, 12 de março de 2009

Sonhos. Na verdade, só planos

“Quando somos crianças, somos um pouco de cada coisa. Artista, cientista, atleta, erudito. Às vezes parece que crescer é desistir destas coisas, uma a uma. Todos nos arrependemos por coisas das quais desistimos. Algo de que sentimos falta. De que desistimos por sermos muito preguiçosos, ou por não conseguirmos nos sobressair, ou por termos medo.” (Kevin Arnold)

Eu não desisti de alguns dos meus sonhos. Tocar piano e falar italiano, na verdade, já faz parte de minha lista excêntrica de coisas bacanas para se falar em um diálogo pretensioso.

Eu tinha sonhos mais nobres. Virei amigo de quem me era o máximo em termos profissionais. Não tem ilusões, só trabalho, cansaço e salário, sendo que a cerveja a se beber é a mesma e o que cabe de picanha em seu estômago será a mesma coisa, famoso ou anônimo.

Vejo tantos filhos tristes por aí. Outros tão saudosos. Conheço pais que perderam filhos. Queria tanto ter um filho. Não desisti. Só não é mais um plano insubordinado à vida real. E a vida real é insubordinada aos meus sonhos.

A gente vai acabar relativizando nossos sonhos, ou pelo menos alguns deles. Tem sonho que segue imaculado a vida toda. Mas nenhum é imaculável. Alguns se mostram caros demais ao coração, outros parecem não valer a pena diante do risco que se corre. Pense nos sonhos de um astronauta.

De modo que eu não tenho mais certeza dos meus sonhos. Sei que sempre os terei. Será triste não realizá-los, mas tantas coisas que muito queria já ficaram pra trás, e deu pra seguir em frente, de um jeito ou de outro.

Quando falo que deu pra seguir em frente, reconheço que não é a pleno pulmão. Fica mais difícil. Por quem foi pro céu, por quem magoou, por coisas que eu não fui capaz, tenho dias de tristeza. Mais do que de alegria.

Não sei se sonhos, planos, existem para o bem ou para o mal de nosso coração. Não dá pra ser fiel a nenhum dos lados. É perturbador, num momento de frustração, receber um sopro de esperança, uma ponta de felicidade no meio da tristeza.

O lado oposto ao que estamos sempre nos quer. O lado em que estamos é que não nos parece fazer questão. Por isso que, vendo o estrago dos sonhos que não se realizam, prefiro não saber sobre aqueles que ainda haverão de (não) acontecer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário