quarta-feira, 4 de março de 2009

Ensaio para o céu

“Naquela noite, falamos da vida, do tempo que passamos juntos. Talvez não fossemos mais aquelas crianças. Mas certas coisas não mudam nunca, certas coisas permanecem. E mesmo que eu não soubesse o que ia acontecer conosco, nem para onde nos dirigíamos, sabia que não podia deixar ela sair da minha vida”. (Kevin Arnold)

Eu me lembro de uma amiga. Eu já quis ficar com ela mas eu nem sabia o que era ficar, o que era amar, o que era querer. O que é querer, eu não sei ainda se sei. Tive uma outra amiga, que achava que querer de verdade tem como resultado uma obsessão que não consome, mas eleva. Essas coisas do Paulo Coelho. Bonita mesmo, nessa amiga, era a panturrilha. Lembro dela, mas é cinzenta a linha da história em que ela se distanciou.

Eu queria encontrar com ela. E com tanta gente. Porque acho meio frustrante que nossas vidas paulistanas e medíocres não se encontrem na cochia. é como um ensaio para o céu. Lá, saberei de coisas falando com quem também já morreu. Por aqui, pode ser legal falar sobre coisas que já se foram. Alguém precisa dizer pra mim que sempre soube que era eu que peidava na sala nas manhãs do ginásio.

A gente deixa pra lá algumas pessoas e coisas porque pensa que não precisaremos delas. Porque achamos que o que queremos, o que precisamos, tem começo, meio e fim na paz do momento. Depois dá saudade, mas logo aparece uma outra e nova razão para se dispor. E a disposição é mais bacana que a saudade.

Viver é ganhar pessoas, algumas delas realmente especiais. Mas são as pessoas que perdi que me fazem entender porque vivo. Me mostram a capacidade humana de ser resignado, covarde, pequeno, de se iludir. Me deixam claro que não nascemos pra sermos leais. Nascemos pra reinventar felicidades, necessidades. Não sei o que é querer. Sobretudo porque não quero isso.

Não nascemos pra querer nada de realmente importante. Temos a filosofia e a religião, elas tratam da gente enquanto sacudimos a poeira. O instinto está controlado nesse momento. E aí abrimos mão daquilo que não deveríamos abrir, isso é, se for mesmo nossa vontade sermos únicos, personais e à flor da pele.
Mas não é nossa vontade. A vida é curta, como as pílulas de efeito prático e rápido. E após cada pílula tomada e seu efeito comprovado, a vontade mesmo é de que se dane o estudo sobre o fim definitivo da dor-de-cabeça na população mundial.

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