segunda-feira, 27 de abril de 2009

O enólogo

- Cheira, cheira, cheira!!
- Quê?...ah, vai se fuder, caralho!
Disse se levantando.
- Não gostou? Porra, foi bom pra cacete!
- Como assim foi bom pra cacete?
- Cara, o pior é que eu até gosto.
- Do cheiro?
- É.
- Cê gosta de cheiro de peido?
- Porra, tenho vergonha de falar. Nunca falei isso pra ninguém...
- Cê tá louco, véio?
- Porra, cê é meu camarada, acho que eu posso te falar. Não é uma coisa muito agradável de se dizer, eu sei.
- Peraí, vamos começar de novo. Cê tá falando sério?
- Tô, cara.
- ...
- Não tem gente que gosta da Ana Maria Braga? Não tem gente que gosta de jiló, quiabo, essas porras todas?
- Tem. E daí?
- É a mesma coisa.
- Mesma coisa o caralho. Você tá me dizendo que gosta de cheiro de merda.
- Não é merda. É peido. É muito diferente.
- Tá. É merda em estado gasoso. É tão diferente quanto água e gelo.
- Não é não. Eu gosto de ficar pensando nas diferentes texturas. Em quais foram as comidas e os processos químicos que resultaram naquele cheiro específico.
- Cara, cê é maluco.
- Sou não. Sabe o que eu sou, na verdade?
- Fala...
- Gosto de pensar em mim como um enólogo do peido...
- Ah, vá à merda...
- Ah, merda eu não gosto não...

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