domingo, 7 de junho de 2009

Meus mortos

Atendi dia desses, no trabalho, uma Dona Lucy. Fiz questão de dizer o nome dela: "Pois não, Dona Lucy", com gosto. Nem sempre digo o nome dos clientes que atendo. São muitos e muitos, não dá. Mas fiz questão de dizer o nome dela. Fazia tempo que esse nome não soava na minha boca. Lucy era, ou é, não sei ao certo, o nome de minha avó, já falecida. Acho que quando ela se foi eu tinha uns 18 anos.É famosa na família a afinidade que nós tínhamos. Vovó me chamava de "Paixão da minha vida". Não é dizer que ela tinha por mim mais amor que pelos outros netos. Era só um algo a mais, que não sei explicar. Foi gostoso dizer o nome da minha avó praquela senhora que eu estava atendendo, que talvez até, por meandros da minha nostalgia, passou a se parecer um pouco com ela. É estranho quando vamos crescendo e caminhando com nossos mortos dentro da gente. A gente segue vivo e nossos mortos vão se juntando em outro lugar alheio a nós, mas presente sempre, como que formando um pequeno exército fora daqui. Mas seus nomes continuam valendo pra outras pessoas, e às vezes a gente se depara com esses xarás, e espantados nos vemos diante de alguém que, estranhamente, carrega o mesmo tipo de energia. Não é ruim topar por aí com as lucys, os marcílios, as éricas, os genésios, os antônios carlos. É um forma inusitada de reencontrá-los e saber se vai tudo bem, e fingir, sem que ninguém perceba, que falamos com eles, e não com aquele que está, de fato e fisicamente, na nossa frente. Então até logo, Dona Lucy. E muito obrigado.

2 comentários:

  1. Corina é o nome de uma personagem de um filme. Acho que é um homem que se fingi de babá. Não? Enfim, eu não iria gostar de chamar esse ator vestido de mulher de Corina. Ah, Corina é o nome da minha avó. Beijos...

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  2. Um beijo pra vovó Lucy do PIIPILIPE.

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